Produção de ostra impulsiona turismo e gera renda no nordeste paraense

A primeira impressão já é grandiosa: uma pequena comunidade desponta na produção de ostra e oferece uma experiência impar.

É em Santo Antônio de Urindeua, um vilarejo ribeirinho de cenário paradisíaco, em Salinópolis, que está guardado este ouro natural. A 'ostreicultura' - produção de cultivo de ostra-, já começa a ser conhecida na região pela sua qualidade, que os colocou em uma rota gastronômica atípica.  "Todas as pessoas deveriam conhecer a produção. Mudamos nosso olhar e nosso jeito de tratar o produto. O sabor é o grande diferencial, já que é cultivada na Amazônia. Existe o tabu sobre o valor ofertado, mas temos que compreender que existe todo um trabalho, dedicação e tempo por trás disso. Agora podemos entender que o valor dela no comércio é honesto", afirma Roberto Satoshi, chefe de cozinha e proprietário de um renomado restaurante em Belém, que visitou a localidade para conhecer a produção e se encantou.

O trabalho na comunidade vem sendo desenvolvido em diversas formas, iniciando pela produção de cultivo de ostra, comercialização e turismo. Hoje, qualquer pessoa pode conhecer o trabalho desses produtores, que já tomam essa atividade como uma maneira de ter uma renda extra. "Nossa vida mudou a partir do momento que fomos vistos pelo nosso trabalho e esforço. As marés nos dão base para o que precisamos e é delas que tiramos a nossa renda extra. Não imaginávamos que a produção de ostra vinha para mudar o pensamento e o paladar das pessoas." É assim que o agricultor Tito Carneiro demostra seu carinho e orgulho pela nova atividade que desenvolve.

A dinâmica de emprenho dos produtores foi o diferencial. Ao contrário do que se via há algum tempo, bares e restaurantes do município de Bragança, nordeste do estado, e Belém começaram a se interessar e já consomem cerca de 14% do total do produto. Ou seja, a ostra já tem sua parcela de participação no cardápio de alguns estabelecimentos. "O nosso trabalho é divulgar o que comercializamos. Isso não deixa de ser um incentivo para os ostreicultores produzirem cada vez mais. O produto sempre esteve presente no meu restaurante, e com a demanda cada vez maior, tive que aumentar a quantidade. Hoje faço 30 pratos elaborados, graças a ostra de cultivo, e confesso, não existe satisfação maior", disse Carlos Luiz Malicheschy, proprietário de restaurante em Salinópolis.

A comunidade não abraça apenas essa produção, mas assim como a ostra, os mexilhões, siris, camarões já faziam parte do cardápio diário das pessoas que moram às margens das águas salgadas. Mas em decorrência da prática desregular e excessiva, o molusco foi se extinguindo. E foi a partir desse alarde que o Sebrae entrou em ação e uniu forças, junto com outras sete comunidades para criar a rede 'Nossa Pérola', que disciplina o trabalho dos 88 produtores e promove ações conjuntas, garantindo o cultivo e a comercialização do produto.

Falta pouco para que esse projeto seja totalmente concretizado. Turismo gera trabalho e renda. "O passeio já pode ser feito, mas precisa ser avaliado para que melhore cada dia mais, assim como qualquer outro serviço. O turismo é uma excelente oportunidade para que as pessoas conheçam melhor a região e tudo o que ela oferece. São pessoas diferentes com olhares diferentes. O importante é conhecer o cultivo de ostra e ao mesmo tempo, degustar de um belo avoado em uma praia com paisagem exuberante", conclui Ana Abreu.

Fonte: ORM


Mangue FM

Rádio Mangue FM - 88,9 Mhz. Uma emissora da SBC Radiodifusão LTDA. Localizada no município de Curuçá, nordeste paraense.

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