Quilo do café chega a R$ 38 e assusta consumidores em Belém

Segundo a pesquisa do Dieese, o aumento no preço do café fez com que o quilo (kg) do produto chegasse a ser comercializado, em média, R$38,81 em abril deste ano. Foto: Wagner Almeida / Diário do Pará.

Even Oliveira

O aumento dos preços dos alimentos tem sido tema constante entre os consumidores. No final de maio, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) divulgou um estudo que revela um aumento expressivo no preço do café. Em abril, o quilo do produto foi comercializado a R$38,81, marcando um aumento de quase 10% em relação a março. O acumulado dos últimos doze meses indica uma alta de 7,84%.

Seja com leite, acompanhado por pão e bolo, ou para quem frequenta padarias e supermercados no meio da tarde, o café tem se tornado um item de luxo. Com preços entre R$8,35 a R$10,34 o pacote de 250 gramas, em um supermercado localizado na avenida José Bonifácio, no bairro Marco, alguns consumidores buscam pelo produto e marca que caiba no bolso.

A corretora de imóveis Rose Garcia, de 59 anos, que consome cerca de 12 pacotes de café por mês, nota que os preços subiram de R$6,89 para acima de R$10,00 em pouco tempo. “Eu consumo muito café; tomo de manhã, de tarde e até de noite. Está caro, mas é assim, infelizmente. O que eu vejo muito é que Belém tem uma margem da cesta básica ser muito cara também; eu vim de um outro estado e geralmente é caro, não tem o que fazer. As coisas mais simples são caras, como arroz e café“, relata a corretora.

Marisa Moreira, 70, que trabalha com serviços gerais, também sente o impacto do aumento e preferiu adotar a troca de marca para adequar o orçamento familiar. “O pilão estava mais barato, agora já está 10 reais. Eu compro uns dois a três quilos por mês. A gente tem que economizar, porque a gente é pobre e precisa de uma economia”, desabafa. De acordo com ela, o consumo de café em sua casa é moderado, principalmente pela manhã, mas o aumento de preços forçou ajustes no consumo.

A aposentada Rosilda Batista, 70, compartilha que o preço do café acaba não sendo determinante na comprar porque tenta prezar por uma maior qualidade, mas observa que os preços geram impacto financeiro porque o que ela costuma comprar também sofreu aumento. “Antes eu usava o pilão, mas ele está vindo agora muito diferente. O Santa Clara está sendo melhor agora. Mas, mesmo preferindo pela qualidade, o preço pesa. Eu compro uns quatro pacotes por semana”, diz Rosilda, destacando que o café é consumido diariamente em sua casa.

MAIS SOBRE A PESQUISA DO DIEESE

 Segundo a pesquisa do Dieese, o aumento no preço do café fez com que o quilo (kg) do produto chegasse a ser comercializado, em média, R$38,81 em abril deste ano. Contudo, não as altas do café não são isoladas. O leite também registrou alta, com o litro sendo comercializado a R$7,25 em abril, um aumento de 5,38% em relação a março. No acumulado do ano, a alta foi de 2,98%. Esse cenário dificulta ainda mais a vida do consumidor, como destaca Rose. “A gente paga os impostos e os salários quase nunca aumentam. A única coisa que poderia ser viável seria reduzir os impostos”, pondera.

Conforme o Departamento, o custo do quilo do café em pó teve alta em todas as capitais pesquisadas. Entre elas, destacaram-se as variações de Belém (9,76%), Aracaju (9,03%) e Vitória (5,43%). Segundo as análises, o preço do leite integral subiu em 13 das 17 capitais pesquisadas; entre março e abril deste ano, os aumentos oscilaram entre 0,31%, em São Paulo, e 5,38%, em Belém. A menor oferta no campo também influenciou no aumento do preço do leite cru, com impacto sobre os preços no varejo.

Os balanços revelam que os reajustes nos preços de café e leite superam a inflação medida de 3,23% nos últimos 12 meses, com 1,95% logo nos primeiros meses de 2024 – entre janeiro e abril, pelo Índice de preços ao consumidor (INPC); e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medindo 3,69% para os últimos 12 meses, e tendo 1,80% no primeiro quadrimestre deste ano. Além das dificuldades locais, fatores internacionais como problemas climáticos e tensões no Mar Vermelho aumentaram a demanda de café para o Brasil, elevando as exportações e os preços internos.Fonte: Diário do Pará