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Réveillon de R$ 1,9 milhão causa polêmica e é alvo do Ministério Público

Luiz Flávio

26/12/2025 13:15

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) recorreu ao Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) para tentar impedir a realização de shows de fim de ano em Marabá, cuja soma dos contratos chega a R$ 1,9 milhão, em meio a denúncias de colapso na saúde pública local e suspeitas de sobrepreço nas contratações artísticas.

 

A ação de agravo foi apresentada após o indeferimento de uma liminar em primeira instância que já havia reconhecido irregularidades nos contratos firmados pela Prefeitura de Marabá com artistas para apresentações na virada de ano, entre eles um show do cantor Zezé Di Camargo avaliado em cerca de R$ 1 milhão — valor considerado pelo MPPA superior ao praticado em outros municípios em 2025.

 

Entretenimento em detrimento a necessidades básicas

 

Na peça judicial, a promotora de Justiça Jane Cleide Silva Souza expõe que a população de Marabá enfrenta uma grave crise na saúde municipal, com falta de mais de 60 tipos de medicamentos básicos, suspensão de cirurgias eletivas e interrupção de terapias e medicamentos para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de filas em serviços essenciais, colocando em xeque a prioridade do gasto com entretenimento em detrimento de necessidades básicas.

 

O MPPA também aponta que o Ministério do Turismo negou o repasse de R$ 1,3 milhão para os eventos por ausência de documentação adequada, obrigando a administração municipal a alegar que utilizará recursos próprios, sem, no entanto, indicar a origem desses recursos ou demonstrar planejamento financeiro compatível com a situação crítica da saúde pública.

 

Segundo o órgão, a manutenção dos contratos afronta princípios constitucionais como razoabilidade, moralidade e economicidade, demandando urgente intervenção da Justiça para evitar lesão ao erário e desvio de prioridades.

 

Polêmica ganhou repercussão nacional

A controvérsia ganhou repercussão nacional após a divulgação dos valores nas redes sociais e em portais de notícias, com comparações que mostram que cachês pagos por Marabá a artistas no fim de 2025 seriam até o dobro dos valores praticados em outras cidades brasileiras no mesmo ano, o que intensificou a pressão por fiscalização e transparência na contratação pública. O MPPA e a Defensoria Pública já haviam solicitado auditoria federal na Secretaria Municipal de Saúde para apurar falhas de gestão.

 

Tramitação e Debate Contínuo

A decisão judicial sobre o agravo ainda está em tramitação no TJPA, e, até o momento, não há definição se os shows seguirão programados ou serão suspensos, enquanto o debate entre autoridades, sociedade civil e órgãos de controle sobre a prioridade dos recursos públicos continua aceso. 

Fonte: Diário do Pará

Link: https://diariodopara.com.br/noticias/mp-recorre-a-justica-para-barrar-shows-milionarios-entre-eles-de-zeze-di-camargo/