Luiz Flávio
02/09/2026 15:41
Foto: Diário do Pará
Fonte: Diário do Pará
A Uber anunciou a demissão de 3.300 funcionários, cerca de 10% de sua força de trabalho global, em um movimento para simplificar sua estrutura e se preparar para o avanço dos robotáxis. É o maior corte da empresa desde a pandemia de Covid-19.
A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) a demissão de cerca de 3.300 funcionários, o equivalente a aproximadamente 10% de sua força de trabalho global. É o maior corte realizado pela companhia desde a pandemia de Covid-19 e ocorre enquanto a empresa tenta simplificar sua estrutura e responder ao avanço dos robotáxis, considerados uma potencial ameaça ao atual modelo de transporte por aplicativo.
As demissões atingem funcionários corporativos e não significam a retirada de 3.300 motoristas ou entregadores da plataforma. A Uber possuía aproximadamente 34 mil empregados no mundo no fim de 2025, segundo seu relatório anual.
A reestruturação foi comunicada aos trabalhadores pelo CEO Dara Khosrowshahi. Segundo ele, o crescimento da companhia trouxe mais níveis hierárquicos, necessidade de coordenação e responsabilidades fragmentadas, tornando algumas decisões mais lentas.
“Uma organização mais enxuta significará responsabilidades mais claras, decisões mais rápidas e mais tempo dedicado à construção em vez da coordenação”, afirmou o executivo. A economia obtida, acrescentou, deverá ser direcionada para crescimento, inovação e novas competências.
Robotáxis pressionam modelo de negócios da Uber
Por trás da reorganização está uma transformação que pode mexer profundamente com o mercado de mobilidade: a expansão dos carros autônomos.
A Uber pretende investir mais de US$ 10 bilhões em robotáxis nos próximos anos, apoiando empresas responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas de direção autônoma e tentando posicionar seu aplicativo como uma das principais plataformas para solicitar viagens sem motorista.
O desafio é evitar que a tecnologia retire da Uber parte de sua relevância como intermediária entre passageiros e veículos.
Uma das principais ameaças é a Waymo, que já opera veículos autônomos nos Estados Unidos e mantém relação comercial com a Uber em mercados como Austin e Atlanta. Ao mesmo tempo, a empresa de robotáxis vem expandindo operações sem depender do aplicativo da companhia.
A Tesla também amplia investimentos nessa disputa, aumentando a pressão sobre o mercado tradicional de transporte por aplicativo.
Reestruturação interna e home office
As mudanças vão além das demissões.
A Uber pretende reduzir em cerca de 20% o número de gestores, embora parte desses profissionais possa permanecer na empresa em funções sem responsabilidade direta de chefia.
A companhia também vai praticamente cortar pela metade a quantidade de pequenas equipes que possuem apenas um ou dois subordinados diretos. Áreas de engenharia, ciência e entregas serão reorganizadas, enquanto operações de restaurantes, varejo e entregas diretas passarão a trabalhar de maneira mais integrada.
A estratégia é diminuir estruturas consideradas excessivamente fragmentadas e acelerar a execução de projetos.
Home Office será exceção
Outra mudança significativa envolve o trabalho remoto.
Com a reorganização, somente cerca de 1% dos funcionários poderá permanecer trabalhando integralmente a distância. Para os demais, continuará valendo a política híbrida que exige presença física no escritório durante três dias da semana.
A empresa também pretende concentrar trabalhadores em polos considerados estratégicos, reduzindo a dispersão geográfica das equipes.
Fonte: Diário do Pará
https://diariodopara.com.br/concursos-e-empregos/uber-demite-3-300-funcionarios-para-enfrentar-robotaxis-como-ficam-os-motoristas-e-entregadores-da-plataforma/